Excesso de demandas no trabalho como risco psicossocial
- há 9 horas
- 3 min de leitura
Já sabemos que os riscos psicossociais estão relacionados à forma como o trabalho é organizado, gerenciado e executado, podendo impactar diretamente a saúde mental, emocional e até física do trabalhador.
Eles envolvem fatores como:
Pressão por resultados
Clima organizacional
Relações interpessoais
Jornada de trabalho
Volume de tarefas, entre outros.
O excesso de demanda acontece quando o trabalhador recebe mais tarefas, responsabilidades ou exigências do que consegue executar de forma saudável dentro do tempo disponível.

Em outras palavras, é quando o trabalho ultrapassa o limite humano de capacidade física e mental.
Vamos aos exemplos
Quantitativa
Quando há muitas tarefas para pouco tempo.
Exemplo
Funcionário responsável por atividades de 3 pessoas
Prazo curto para grande volume de trabalho
Qualitativa
Quando o trabalho exige nível de complexidade acima da capacidade ou treinamento do trabalhador.
Exemplo
Executar tarefas sem capacitação adequada
Tomar decisões complexas sem suporte
Emocional
Quando o trabalho exige controle constante de emoções ou exposição a situações desgastantes.
Exemplo
Atendimento a clientes agressivos
Lidar com situações de sofrimento ou pressão constante
Agora imagine o seguinte cenário
Você trabalha em um setor com mais 5 pessoas, cada um com suas atividades distintas, então um sofre um acidente e fica 90 dias afastado e a empresa não contrata outra para suprir suas atividades. Então dois acabam pedindo demissão e você fica com a atividade dos três enquanto empresa inicia a contratação dos dois e aguarda o retorno do funcionário afastado. Sabendo que o processo de contratação na empresa leva de um a dois meses, agora imagine você nesse cenário de 60 a 90 dias.... Então uma semana depois você começa a sentir dores musculares na altura do pescoço e ombros, inicia uma irritabilidade e não consegue dormir devido as dores, então começa sentir uma certa ansiedade etc.
Vamos entendê-lo melhor
A dor no ombro e no pescoço após estresse ou ansiedade não é “impressão”, ela tem uma base fisiológica bem conhecida na ciência. O corpo reage ao estresse como se estivesse diante de uma ameaça real.
O que acontece no corpo?
Quando você passa por um momento de estresse ou ansiedade, o organismo ativa o chamado sistema de “luta ou fuga”, ligado ao Sistema Nervoso Simpático.
Isso desencadeia algumas reações:
Liberação de hormônios como Cortisol e adrenalina
Aumento da frequência cardíaca
Respiração mais rápida
Contração muscular involuntária
E é aqui que a dor entra. Os músculos do pescoço e ombros (principalmente trapézio) ficam contraídos por longos períodos, gerando:
Rigidez
Dor localizada
Sensação de peso ou “travamento”
Por que justamente pescoço e ombros?
Essas regiões são muito sensíveis ao estresse porque:
São áreas de proteção instintiva (encolher os ombros é uma reação natural)
Acumulam tensão postural (principalmente quem trabalha sentado ou no computador)
Têm alta concentração de terminações nervosas
A nocividade em um dia de estresse intenso
Mesmo em um único dia, já podem ocorrer efeitos no corpo e mente:
Corpo
Dor muscular (pescoço, ombros e costas)
Dor de cabeça tensional
Fadiga física
Alterações no sono (dormir mal já na mesma noite)
Problemas gastrointestinais leves (náusea, má digestão)
Mente
Irritabilidade
Dificuldade de concentração
Pensamento acelerado
Sensação de esgotamento mental
E se isso for frequente?
Aí o impacto se torna mais sério:
Pode evoluir para Ansiedade Generalizada
Aumenta risco de Síndrome de Burnout
Pode causar dores crônicas (como cervicalgia)
Queda de imunidade
Problemas cardiovasculares a longo prazo
Tem alguma coisa que ajuda a amenizar a dor? Sim!
Alongamentos leves (principalmente cervical)
Respiração lenta e profunda (ativa o sistema relaxante)
Pausas durante o dia
Atividade física regular
Sono adequado
Porém, amenizar a dor não resolve o problema, apenas máscara os sintomas. Nos riscos psicossociais, agir só no efeito (como oferecer ações pontuais de bem-estar) não elimina a origem, que muitas vezes está na sobrecarga, na má gestão ou na falta de organização do trabalho.
Tratar a causa raiz é essencial para evitar o adoecimento contínuo, reduzir afastamentos e melhorar o desempenho. Com a atualização da NR-01, as empresas precisam adotar estratégias estruturadas, identificando, avaliando e controlando esses riscos de forma preventiva e integrada ao negócio.





